Fotógrafo vê tudo

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Eu não nasci com talento para fotografia, tive que desenvolver (e nem tenho certeza que desenvolvi), mas posso dizer que tive o privilégio de ser aluno e até de fotografar com caras incríveis, cada qual com seu jeito de ver as coisas. Aprendi com todos eles… do mero desconhecido ao fotógrafo das celebridades. Até com aquela louca da Faculdade que não vou citar o nome por questões éticas… até com ela aprendi alguma coisa.

Todos eles em algum momento me disseram a mesma coisa: “fotógrafo vê tudo!”

Me lembro de estar fotografando uma modelo com o Mauricio Pó gritando na minha orelha que fotógrafo vê tudo (e naquele momento eu não via o que ele estava vendo). Haja pós produção…kkk.

E de fato, se fosse mencionar algo que aprendi com a fotografia… foi enxergar. O olhar deve estar mesmo condicionado a ver as mesmas coisas sempre e quando você começa a prestar atenção aos detalhes a sua volta o mundo parece gigante.

Hoje eu vejo esta frase de outra maneira porque quando perdi meu pai… dias depois, descobri que nunca me passou pela cabeça fotografa-lo exercendo o próprio ofício (marcenaria). Até hoje me pego imaginando como seriam aquelas fotos. Isso ficou me martelando a cabeça por dias… e ainda martela de vez em quando. Perdi uma oportunidade de ouro! Perdi o ensaio.

Só existe uma maneira de consertar isto… um habeas corpus preventivo, caso eu não vá para o céu preciso de uma chance de me desculpar com meu velho pelo vacilo.

Então vou mudar a frase:

Fotografo vê tudo, mas presta atenção porque as imagens podem estar embaixo do seu nariz!

Na minha família sempre rolou várias socializações, com os Bolinhos de Polvilho da minha mãe (falei disto no meu blog há alguns anos), teve a fase o pão feito no forno à lenha, tem os churrascos, os cafés da tarde, a Feijoada de carne de boi, os pães de queijo… e tem as pamonhadas.

Se você me perguntar a receita da Pamonha da minha mãe, verá que não tem nada de especial. Isto porque o ingrediente secreto, ao contrário do que acontece no macarrão do Kung Fu Panda, está nas mãos dela, está nas risadas que damos durante toda a tarde.

Eu não como Pamonha, mas desta vez não perdi a oportunidade.

Eu vi tudo.

por J. Neves

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